Notícia

Projeto ReconheSER entrega documentos de retificação civil

Segunda-feira, 21 de Setembro de 2026

“É como se eu tivesse nascido de novo”. Essas foram as palavras do jovem Kristian Evangelista, uma das pessoas que receberam na última sexta-feira, 18, o documento de retificação civil e de gênero, por meio do projeto ReconheSER do Ambulatório Trans da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), vinculado à Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progesp). A cerimônia de entrega aconteceu no auditório do Centro de Tecnologia e contou com a presença do reitor da UFRN, José Daniel Diniz Melo, e de representantes das instituições parceiras da iniciativa, desenvolvida juntamente com o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN), a Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Norte (DPE/RN) e os cartórios da capital potiguar. 

O momento teve como protagonistas as pessoas beneficiadas pelo projeto, que nasceu em junho deste ano, após uma palestra sobre Violência de Gênero e Retificação Civil, realizada no Ambulatório Trans pelo professor de Direito da UFRN e juiz do TJRN, Fábio Ataíde. Juntamente com a psicóloga Angélica Gil, ambos idealizaram o ReconheSER, a fim de proporcionar às pessoas trans, travestis e não binárias o acesso gratuito, humanizado e desburocratizado ao procedimento de retificação de prenome e gênero nos registros civis.

A cerimônia foi marcada pelo discurso de Rudy Íris Dutra, estudante de mestrado na UFRN, que destacou a importância da documentação como um ato de dignidade, cidadania e direito à existência das pessoas trans e não binárias. “É sobre poder olhar para um documento e encontrar o meu nome. É sobre poder apresentar quem eu sou sem precisar explicar, justificar ou pedir autorização para existir”, afirmou a jovem, que despertou a reflexão do público sobre a inclusão dessas pessoas no ensino superior e a presença delas nos diversos espaços da sociedade.

“Todas, todos e todes têm o direito de estar aqui. Mas não basta abrir a universidade. É preciso garantir que a pessoa consiga entrar, permanecer, estudar, pesquisar, graduar-se e que, depois de formada, também possa ocupar os espaços de trabalho, de decisão e de produção do conhecimento. Porque não queremos apenas entrar na universidade, nós queremos transformar a universidade. E eu acredito que nós já estamos fazendo isso”, defendeu Rudy.

O reitor da UFRN, Daniel Diniz, citou a ocasião como histórica para a Universidade, que reafirma o seu papel como instituição pública viva, inclusiva e comprometida com os direitos humanos. “A cada uma das pessoas que hoje seguram a sua certidão retificada, a UFRN se orgulha de fazer parte dessa história. Que este seja um marco de liberdade, autoestima e cidadania na vida de cada uma e de cada um de vocês”, finalizou.

Até o momento, o projeto ReconheSER atendeu 56 pessoas e pretende apoiar novas pessoas trans, travestis e não binárias, maiores de 18 anos, residentes no Rio Grande do Norte, que desejem realizar a retificação de prenome, gênero ou ambos em seus registros civis, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade social e econômica.